Os Diretores falam sobre HAIR


Quando a Companhia de Teatro Independente Lusco-Fusco “escolheu” fazer HAIR, em julho de 2013, ainda não estava muito claro para os Diretores da Cia., Amanda de Nardi e Gustavo Dittrichi, o que eles deveriam esperar – nem as dimensões que o espetáculo teria. Agora, com a estreia e um ano depois, a Direção da Cia. avalia como foi – e está sendo – o processo de construção do espetáculo. E eles brincam e garantem que não foram eles quem escolheram o espetáculo – que o espetáculo os escolheu, pois não chegaram a ter uma reunião e decidir que seria esse o próximo projeto, simplesmente, quando viram, já estavam envolvidos na pré-produção do espetáculo e, timidamente, ele estava nascendo. Leia a seguir uma entrevista com ambos os diretores sobre o processo de Hair:

Gustavo Dittrichi e Amanda de Nardi, Diretores da Cia. Lusco-Fusco.

O que significa Hair para vocês?

Amanda de Nardi: “‘Hair’ é uma peça tocante. Ele não é só um espetáculo, ele é uma experiência”.

Gustavo Dittrichi: “‘Hair’ diz muitas coisas. Ele entrou num momento em que gostaríamos de dizer muitas coisas que estavam presentes na mensagem dele, como essa questão de que as pessoas hoje em dia dizem que não existe mais amor. Na época que decidimos fazer o ‘Hair’, tinham acabado de estourar aqueles protestos em São Paulo. A gente se sentia muito pulsante, parecia pela primeira vez que nossa geração ia se movimentar para transformar a sociedade, e acho que o ‘Hair’ fala disso, de transformar o mundo que você está, começando a partir de você, para depois poder transformar o outro. O ‘Hair’ carregar essa mensagem”.

Qual é a principal mensagem da peça?

Amanda de Nardi: “Uma coisa muito importante do ‘Hair’ é a questão da comunhão, da convivência, sem que cada indíviduo perca o que é. Não existe muito julgamento na Tribo (como é chamado o Coro da peça); você vê várias pessoas, cada uma com sua característica individual, mas mesmo assim inseridos em um grupo, e você vê que aquele grupo funciona e que cada pessoa ali é fundamental. Isso falta muito hoje em dia. Não existe essa ideia de comunhão em que cada um tem que ser o que é; mas a sociedade é composta disso, e a mensagem mais importante do ‘Hair’ é essa”.

Como foi o processo de construção do espetáculo?

Amanda de Nardi: “Tem sido muito interessante. Eu nunca trabalhei com pessoas tão empolgadas com aquilo que estão fazendo, desde o elenco, produção, direção, o pessoal da música... Está sendo fantástico, uma experiência ímpar. A gente nunca tinha trabalhado nada com essa dimensão”.

Gustavo Dittrichi: “Ano passado, nós fizemos ‘O Despertar da Primavera’, que era uma montagem um pouco menor no aspecto de elenco e de música. No Hair nós temos banda ao vivo, coisa que não tínhamos no ‘Despertar’; e a banda ao vivo é um elemento que transforma muito o espetáculo; a gente tem um Coro com muita força no Hair, coisa que também não tínhamos no ‘Despertar’.”

Em “O Despertar da Primavera”, ambos estavam no elenco, mas revezavam a Direção. Agora, Gustavo assumiu Direção Geral do espetáculo (além de estar no elenco) e Amanda faz Assistência de Direção. Como é conciliar isso?

Gustavo Dittrichi: “Na hora que eu saio da Direção e entro em cena para fazer o Claude, eu tenho que estar muito pronto. Como faço o alternante, na hora que eu entro, pego tudo o que já foi montado pelo Angelo (Favero, que divide o personagem Claude com Gustavo), então já está tudo pronto da forma como ele construiu. Eu preciso ‘entrar’ no que ele construiu. Esse é um grande desafio”.

Imagens de "O Despertar da Primavera", de 2013.

Créditos: Mariana Perin.

Vocês estão juntos desde o início da Cia. Como é trabalhar tanto tempo juntos?

Amanda de Nardi: “A gente se dá muito bem. Temos uma amizade de muitos anos, e é muito legal trabalharmos juntos, pois temos uma conexão muito engraçada: eu olho para ele, ele já sabe o que eu não gostei; às vezes a gente se dá umas ‘patadas’, mas a gente se entende e ninguém sai magoado ou ofendido”.

O que o HAIR significa para a Companhia?

Amanda de Nardi: “É um grande passo. É um momento de transição, pois começamos como um companhia totalmente amadora, na escola, e ela foi crescendo desde então. É como se fosse um filho que vai crescendo e, de repente, ele decide sair de casa (risos)”.

Gustavo Dittrichi: “O HAIR veio para empurrar o Lusco-Fusco para outro lugar, que é um lugar que estamos descobrindo onde é. Mas o espetáculo está bem bacana, bem bonito e está além das minhas expectativas iniciais. Trabalhamos com um elenco que é muito bom. Quando fizemos os testes, foi um elenco que já veio com uma energia muito boa, que o espetáculo exige. O elenco funciona muito bem aqui”.

#hair #entrevista #diretores #odespertardaprimavera

5 visualizações0 comentário